Alteração da flora bacteriana intestinal aumenta a absorção de calorias
A obesidade é uma doença crônica e de difícil tratamento, cuja prevalência vem aumentando e se tornando uma pandemia. Estima-se que 1,6 bilhões de adultos estão acima do peso, 400 milhões estão obesos.
No Brasil 40 % da população esta acima do peso e destes, 10 % são obesos, se tornando um grave problema de saúde devido ao aumento do risco de mortalidade e morbidade, geralmente associado à hipertensão arterial sistêmica, diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cânceres.
Estudos recentes têm mostrado que a microbiota intestinal, comumente conhecida como flora bacteriana, tem um importante papel na obesidade, afetando o acúmulo de gordura e extração de calorias. A microbiota é responsável por varias funções: processos metabólicos (fermentação, síntese de vitaminas e produção energética), estimulação tróficas (diferenciação epitelial celular e imunomodulação) e proteção contra patógenos (produção de bacteriocidinas).
A Alteração da microbiota intestinal está relacionada a várias patologias, como síndrome do intestino irritável, fibromialgia, doenças autoimunes e recentemente, relaciona-se o desequilíbrio da microbiota intestinal com a obesidade.
A microbiota intestinal desempenha um importante papel para funcionamento normal do intestino e manutenção da saúde do indivíduo. As atividades da microbiota intestinal sadia são: ajudar a digestão da celulose e estocar energia, formar uma barreira de defesa natural, que é essencial para desenvolvimento e maturação do sistema imunológico sistêmico e de mucosa. A microbiota é composta por bactérias potencialmente patogênicas ao lado de microrganismos não patogênicos e benéficos para saúde.
A flora intestinal muda drasticamente após o nascimento e a dieta é o fator principal da natureza e da sequência desta colonização. As bifidobacterias e enterobacterias são as primeiras colonizadoras, mas a composição da microbiota intestinal muda conforme a alimentação, se feita de leite materno ou refeições prontas.
As bifidobacterias são organismos primários que produzem grandes concentrações de lactato e acetato restringindo o crescimento de bactérias potencialmente patogênicas como a E. coli e clostridum perfringens. A transformação para microbiota adulta é influenciado por múltiplos fatores como a alimentação desequilibrada, álcool, fumo, fadiga, estresse, idade, antibióticos e infecção bacteriana.
FLORA INTESTINAL NA OBESIDADE
Evidências recentes mostram que trilhões de bactérias que normalmente residem na flora intestinal humana afetam a aquisição de nutrientes e a regulação energética. Além disso, os lipossacarídeos bacterianos da microbiota intestinal seriam um fator de gatilho relacionando a inflamação e dieta rica em gordura induzindo a obesidade.
Uma pesquisa realizada na Universidade de Washington (Saint Louis, EUA) pelo professor de biologia molecular e farmacologia Jeffrey Gordon, indica que um simples desequilíbrio entre os organismos que vivem no intestino pode causar aumento de peso. Estima-se que haja um número entre 500 e 1000 tipos de micróbios compondo a flora intestinal.
De acordo com Gordon, que teve seu trabalho publicado na revista britânica “Nature”, a absorção de nutrientes é diferente para cada pessoa, dependendo da sua microbiota. Este mecanismo determina a quantidade de calorias armazenadas pelas pessoas, sendo que algumas absorvem mais e outras, menos.
Backhed e colaboradores demonstraram que ratos germ free (sem nenhum tipo de microrganismo que habite neles) tem menos percentual de gordura, apesar de serem submetidos a mesma dieta.
E seguindo o mesmo raciocínio, mais tarde foi demonstrado que a colonização de microbiota intestinal de ratos obesos em ratos germ free ocasionou um aumento significativo da porcentagem de gordura em comparação à colonização com a microbiota de ratos magros.
Este estudo também mostrou que a flora microbiota de ratos obesos com deficiência de leptina (ob/ob) em comparação aos ratos magros, tinha maior proporção de espécies firmicutes e menor de bacteriodes.
Estes cientistas evidenciaram que a microbiota intestinal dos ratos obesos era rica em genes que produzem enzimas capazes de quebrar polissacarídeos indigeríveis.
Além disso, foram encontrados maiores produtos de fermentação e menos calorias nas fezes de ratos obesos, sugerindo que a microbiota intestinal destes ratos facilita a extração de calorias de alimentos não digeridos normalmente.
Ley e colaboradores também demonstraram que a obesidade pode estar relacionada à alteração da microbiota intestinal em roedores.
Ratos obesos com deficiência de leptina têm 50 % menos de bacteriodes e 50 % mais de firmicutes em comparação aos ratos magros. O mesmo grupo de investigadores mostrou uma diminuição de bacteriodes na microbiota intestinal de humanos obesos em comparação aos indivíduos magros. Além disso, os obesos que perdiam peso e se mantinham por mais de um ano, quase se igualavam a proporção de firmiculites dos indivíduos magros.
Esta técnica consiste na drenagem completa do intestino grosso, tratando todo o ambiente colônico para que fique parecido com o momento do nosso nascimento, só que agora, com uma mínima microbiota nociva remanescente tornando extremamente eficiente a recolonização de Flora Bacteriana em um ambiente intestinal sem a competição entre as bactéria saudáveis e nocivas.
Ou seja, o intestino grosso ficará com o mínimo possível de flora nociva favorecendo a proliferação dos lactobacilos saudáveis.
Após o tratamento, o paciente passará por um período de 30 a 90 dias repondo a microbiota intestinal via oral para que passe existir no cólon uma Flora Bacteriana saudável e funcional.
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